
A apropriação dos saberes populares pela ciência e uma efetiva integração entre a cultura tradicional e a comunidade científica. Esse foi o grande eixo que orientou os debates ocorridos em 55 mesas redondas, 48 conferências, 46 minicursos e cerca de 4 mil painéis com resultados de pesquisa apresentados na 64ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na cidade de São Luís, Maranhão. O propósito foi buscar soluções inovadoras e factíveis para o enfrentamento da pobreza e desigualdade social no país. Com mais de 25 mil pessoas circulando por dia e 11.912 inscritos de 700 cidades do país, o maior congresso científico da América Latina foi encerrado, nesta sexta-feira, 27 de julho, com uma avaliação positiva da coordenação nacional do evento.
“Nossa reunião foi um sucesso. Não apenas os números impressionam, mas uma participação engajada e tocante das pessoas mais diversas, desde estudantes e professores a curiosos e pessoas simples da comunidade”, afirmou Helena Nader, presidente da SBPC. “Não só discutir, mas assegurar a educação, com as suas mais variadas interfaces, é dever e missão máxima de todos nós. Sem dispor de educação, é impossível ser cidadão”, disse.
Ler mais …

Sustentabilidade, inovação e diversão. Uma vasta e diversificada mostra de ciência e tecnologia, reunindo 130 instituições e 800 expositores de todo país, atraiu cerca de 10 mil pessoas por dia na 64ª Reunião da SBPC. Em seis mil metros quadrados, a Expotec, em sua 20ª edição, foi o espaço da popularização da ciência. Centenas de inventos criativos e inciativas inovadoras foram apresentados em estandes montados por diversas universidades, institutos de pesquisa, centros de tecnologia, fundações de amparo à pesquisa e agências de fomento.
Ler mais …

“Sei que a arte é irmã da ciência, ambas filhas de um deus fugaz”. A partir da afirmação do compositor Gilberto Gil, o físico Ildeu de Castro Moreira deu início a uma viagem pelas inspirações científicas na música popular brasileira. Ildeu, que é o responsável pela área de divulgação científica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mostrou, em conferência na manhã desta sexta-feira, na SBPC, como os dois campos aparentemente distintos estão mais próximos que se imagina.
“Nós precisamos entender como as pessoas vêem e entendem a ciência para poder criar uma cultura científica”, defende. “Para o cientista, uma das melhores formas de fazer isso é olhar para a produção musical brasileira”. Segundo ele, a ciência apareceu como tema de composições no país muito mais vezes do que se pensa. “Basta ver que o primeiro samba, Pelo telefone, fala do impacto de um avanço tecnológico na vida das pessoas”, destaca.
Ler mais …

O babaçu, também conhecido como coco-de-macaco ou coco-de-palmeira, é considerado um dos símbolos do Maranhão. Com múltiplos usos, a planta pode fornecer desde óleo de cozinha extraído de suas amêndoas até insumos para construção. Outra virtude da planta é ajudar no combate a Leishmaniose, como mostra conclusão de estudos conduzidos pelo grupo de pesquisa Farmacologia, Imunologia e Toxicologia de Produtos Naturais e apresentados em conferência na tarde desta quinta-feira na reunião da SBPC.
Segundo testes experimentais apresentados por Maria Nilce de Sousa Ribeiro, farmacêutica e pesquisadora do grupo, a planta tem uma ação de fortalecimento da defesa do organismo contra a doença. “O babaçu não ataca diretamente o protozoário causador da leishmaniose, mas pode facilitar uma resposta imunológica contra a doença”. Maria Nilce explica que a planta pode ser combinada com outras substâncias que combatam diretamente o micróbio.
Ler mais …

As constelações vêm gerando conhecimento para os povos indígenas ao longo dos séculos. A significação dos fenômenos astronômicos nos mitos e ritos e o modo como os saberes desses povos orientam e organizam suas comunidades foram expostos, nesta quinta-feira, 26, por reconhecidos especialistas na área.
O matemático, físico e astrônomo Walmir Cardoso, da PUC de São Paulo, apresentou como a influência das estrelas na Terra foi notada pelo povo Tukano, no Alto Rio Negro, resultando em uma constelação indígena plena de significados e especificidades. Em quatro anos de pesquisa, o professor atestou, por meio de oficinas de astronomia realizadas na tribo, a importância dos astros na identificação dos fenômenos cíclicos da natureza.
Ler mais …
Imagens do Cotidiano da SBPC
por Mariana Costa
O calor intenso e as acomodações adversas não tiraram o entusiasmo dos jovens cientistas da Universidade de Brasília (UnB) na divulgação de seus resultados de pesquisa na 64ª Reunião da SBPC, que prossegue no campus da UFMA, em São Luís, até essa sexta-feira, 27 de julho. Em um espaço montado para a exibição dos pôsteres, 72 alunos de graduação da UnB, selecionados para a Jornada Nacional de Iniciação Científica, mostram o que vêm produzindo em suas primeiras formações acadêmicas, abordando os mais variados temas, que vão de questões culturais até temas da Física.
Ler mais …

Um dos espaços onde o tema dessa edição da SBPC – Ciências e Saberes Tradicionais para enfrentar a pobreza – está mais bem representado é o pátio do Centro de Ciências Humanas da UFMA. Lá barraquinhas montadas para venda de artesanatos revelam mais do que se pode esperar de uma feira com essa temática. Por trás delas estão histórias de como a sabedoria popular junto com o conhecimento foram decisivos na construção de uma vida mais digna.
O Grupo de Mulheres Negras Maria Firmina é um exemplo. Nascidas de um movimento popular de luta pela moradia no município maranhense de Paço do Lumiar, elas encontraram uma saída criativa para gerar renda: a fabricação de brinquedos educativos. “Depois da conquista da casa percebemos que isso não bastava”, conta Maria Luiza Mendes, uma das coordenadoras do projeto. “Tentamos várias experiências, incluindo as mais comuns como a produção de bijuterias”.
Ler mais …
Por ter seus níveis aumentados em ambientes escuros, a melatonina foi, por décadas, associada exclusivamente à regulação do sono. A professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Regina Pekelmann Markus, comprovou que o hormônio produzido pela glândula pineal cumpre outro importante papel: é um anti-inflamatório poderoso. O estudo abre um novo caminho para tratar enfermidades como derrames e ferimentos em pacientes com diabetes, câncer e Aids. Em palestra ministrada, nesta quinta-feira, 26, a professora do Laboratório de Cronofarmacologia, do Instituto de Biologia da USP, contou de sua pesquisa que resultou na descoberta de que o organismo produz melatonina em locais com inflamação, passando a operar como significativo elemento de defesa.

Em uma aula aberta, a professora mostrou como a melatonina atua no sistema neural central, impedindo que certas células de defesa, os neutrófilos, entrem nos tecidos. Explica: “quando os neutrófilos atravessam em direção ao tecido, produzem uma montanha de óxido nítrico e radicais livres, matam tudo que está em volta e se matam, na expectativa de estarem matando tudo que está errado, ou seja, comportam-se como são verdadeiros camicazes”. Desse modo, a melatonina evita que células kamicazes agridam células saudáveis, levando a doenças.
Ler mais …
A coordenação nacional da SBPC divulgou, nesta quarta-feira, 25, uma nota de esclarecimento sobre um manifesto publicado pela entidade a respeito do projeto de Lei 180/2008 do Senado Federal - que universaliza as cotas nas universidades públicas federais -, solicitando sua não aprovação. No documento, a Sociedade defende o princípio da autonomia universitária, aproveitando para reiterar sua posição em defesa de alguns modelos de cotas e outros tipos de ações afirmativas adotadas nas instituições públicas de ensino superior. Leia aqui a nota divulgada.
O ex-reitor e professor aposentado da Universidade de Brasília Lauro Mohry, que também integra o conselho da SBPC, endossa essa posição: “Não podemos admitir que retirem o direito das universidades de selecionarem seus próprios estudantes”, disse. ”O processo de cotas nas universidades merece absoluto rigor e controle”, avaliou. “A autonomia universitária é uma grande conquista nossa, e não podemos retroceder nisso.”
Por Luciana Barreto
http://www.sbpcnet.org.br/site/home/home.php?id=1689